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ILUSÃO DE ÓTICA

Ganhei um presente sem o solicitar
Mas para chegar a ele, muitos obstáculos
Teria que ultrapassar

Era tão linda a contemplação
Ao longe não precisava me enganar
Porque dentro do pacote cheio de armadilhas
Eu bem sabia o que iria encontrar

Nas artimanhas não queria cair...
ilusões a beira do abismo...
a tentação, sussurrava dentro de mim
o bom senso, a razão, a insensatez, sei lá
tentavam me alertar
aceitar, correr risco perguntava-me o por quê?

Talvez fosse minha ruína o presente alcançar!

Era tanto fascínio, não parava de observar
ganhara um presente
com tantos obstáculos para que eu o pudesse tocar!

o tempo passava, tentava desistir
mas meus olhos traídos denunciavam o prazer
no desafio presente que podia me pertencer

a cada dia, mais distante o presente ficou
na memória viva, a ilusão da visão contemplativa
registrou a realidade e o presente se extraviou

e nas minhas retinas,
o presente se distanciava
nada adiantava, nem o tempo conseguiria apagar
a visão do presente, do passado e do futuro
tanto fascínio na visão contemplativa
muito distante, que só no meu coração, não se conseguia extraviar.

Margot Carvalho