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Tudo errado

Quem nunca teve um período de má sorte na vida? Ninguém não é?

Felizberto Diasbos passava por um momento “do tudo errado”. Sua vida, de cabeça para baixo!

Em pouco tempo tanta coisa ruim lhe acontecera! Precisava se benzer, ir à uma mãe de santo, sei lá! Alguma coisa teria que ser feita!

Queria mudar seu nome. Tirar o nome” Feliz de Berto” de que feliz, não tinha nada, mas o que mais o preocupava era o “Diasbos”, se tirasse o “s”, ai nem queria pensar! Seria o próprio mal de que todos correm e nem gostam de pronunciar o nome. Atrai coisa ruim!

Perdera o emprego que não era grande coisa, mas estava empregado. O dinheirinho mensal pagava-lhe as despesas.

A noiva, em vez de lhe dar apoio, arranjara um sessentão com o bolso recheado, novinho em folha, e numa boa, passava por ele dentro de cada carrão! Quanta humilhação! Ele? Sem um tostão.

Aluguel atrasado, cartão de crédito cancelado... A vida? Uma droga!

Saía bem cedo todos os dias, deixava seu currículo e todos mandavam sem exceção, que esperasse em casa, mandariam correspondência.

Não tinha o biotipo para o mercado de trabalho. Sabia que na escolha, a aparência, contava muito.

No ônibus, subiu um sujeito mal encarado que pousou os olhos em seu celular.

- Vou ser roubado, pensou!

Desceu no ponto à frente, o sujeito também. Andava rápido o sujeito idem, emparelhando-se ao seu lado.

- Cara passa pra cá o celular. Não tente nada senão te apago!

- Não vou lhe passar celular nenhum! Só faltava essa!

- Ninguém merece! Tô desempregado, minha noiva me trocou por outro, a gastrite piorou e vem você querendo meu celular a única coisa que me restou?

- Passa o celular, rapidinho!

- Sabe de uma coisa, pode me apagar que eu não vou lhe dar o meu celular.

- Não brinca comigo, passa o celular!!!!

O cara não desistia mesmo.

Chegando ao ponto do ônibus, Felizberto Diasbos, ousou e começou a falar alto.

- Não vou dar celular nenhum, pode me apagar. O ladrão olhou a sua volta e sentiu que corria perigo.

- Que isso cara, fala isso não, o que as pessoas vão pensar? Eu não quero seu celular! Só tô lhe pedindo dinheiro pra passagem!

- Fala sério cara, só a passagem, por favor!

Margot Carvalho