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Tolerância zero


O professor anda a beira dum colapso nervoso e com isso, não tem lá muita paciência para com os alunos.


Professor anda tendo “tolerância zero”!

Estressados não conseguem dar suas aulas, pois para eles, em sala, são como se fossem objetos de decoração.

Para se ter uma ideia da situação, há aluno chegando ao fim do Ensino Fundamental sem saber ler e o professor quase nada pode fazer.

Com a sala repleta, Clotilde tentava dar aula. Era aluno em pé, falando alto como se ninguém estivesse lá na frente, tentando transmitir conhecimentos.

De repente, um deles chega perto dela e lhe pergunta:

- Professora, a senhora tem corrimento?

- O que, menino?

- A senhora tem corrimento?

- Tenha mais respeito comigo!

- Mas eu só tô perguntando se a senhora tem corrimento!

Clotilde enfurecida, pedia que ele lhe tivesse mais respeito.

- Nossa que professora mais “ingnorante”! Ficar tão brava só por que eu perguntei se ela tinha corrimento!

E o aluno voltou para continuar o que estava fazendo.

Clotilde pagou para a turma inteira.

- Aqui ninguém precisa gostar de mim, mas tem a obrigação de me respeitar!

- Estou cansada de vocês. Vem para a sala de aula só para bagunçar? Não querem aprender? Não aprendam, mas me respeitem! Da próxima vez vou levar o caso à direção.

Todos se entreolharam. Quem havia desrespeitado a professora?

Olham para um lado, para o outro e a indagação paira no ar!

Nunca a viram tão enfurecida, melhor ficarem sentadinhos e quietos.

Ninguém sabia quem a havia desrespeitado e olhares interrogativos passeavam pela sala procurando o culpado.

A professora, como vingança, escrevia no quadro: trabalhos individuais, valendo cinco pontos na avaliação.

- Não quero cópia, quero resumo! E a avaliação vai ser sobre toda a matéria. Descarregava sua raiva numa “vingançazinha” que os levaria a refletir, antes de tomarem qualquer decisão.

Fizeram uma lista dos prováveis culpados e sobre pressão pesquisavam. Parecia mais um tribunal! Aperta daqui, dali...
De repente o menino se levanta, vai até a mesa de Clotilde e diz:

- A senhora tem corrimento sim! Incrédula com a petulância insistente se arma para tomar uma decisão. O aluno lhe olha nos olhos com olhar reprovador e lhe diz:

- Não queria me emprestar, não é? Pede licença, pega o pequeno frasco e vai corrigir o seu caderno.

- Clotilde não sabe o que fazer.

Quanta inocência! O menino queria apenas o corretivo.

Margot Carvalho