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A mensagem

“Queria beijar tua boca, sentir o calor dos teus beijos, tomá-la em meus braços...”

Recebeu a mensagem, mas não tinha noção de quem a enviara! Ultimamente não levava a sério seus relacionamentos.

Decepcionada por demais com os homens, que só queriam ficar, beijar muito e...

Estava tão cansada deles. Mas quem lhe enviara mensagem tão apaixonada? Será que havia despertado paixão em alguém?

Olhava-a, tentando decifrá-la. Seria o Gustavo? Encontraram-se três vezes, talvez fosse ele. Ou o Ricardo, que se dizia apaixonado e desaparecera sem lhe dar nenhuma explicação.

Uma incógnita! Alguém queria beijá-la, abraçá-la, estava com intensa saudade...

Correu ao quarto. Outra mensagem: “Mulher de minha vida, não vejo a hora de beijar tua boca, abraçá-la, tocar teu corpo, sentir teu calor... Ah! Não vejo a hora! "

Passou o dia todo pensando em sua nova paixão. Felizmente, um homem tão apaixonado não se cansava de lhe mandar recados.

Fosse lá quem fosse já se sentia tão protegida com suas doces palavras, seu carinho...

Imaginava-o alto, moreno, ereto, bem elegante. Alguém como um desses artistas da Globo, que encantam qualquer pessoa. Ah, seria um encontro inesquecível!

Um homem sério é difícil de encontrar e ela iria conhecê-lo! Tão apaixonado, dócil... Ela se sentia nas nuvens. Tudo o que almejava: alguém que a protegesse, amasse, fosse companheiro. Talvez até se casassem, quem sabe?

Olhava o número e lhe parecia familiar, mas não conseguia se lembrar, de jeito algum.

“Hoje jantarei contigo. Passarei por aí, às vinte horas. Vou te beijar muuuuito, muuuuito! Não vejo a hora de estreitá-la em meus braços, sentir teu calor e o sabor doce de teus beijos.”

Não ousava retornar a ligação, pois era uma dama e como dama agiria.

Preparou seu melhor vestido, as bijuterias e o perfume.

Tomou um banho perfumado e, em cada detalhe, das unhas ao cabelo, estava impecável.

Eram sete horas e trinta minutos. Ansiosa, esperava o homem tão apaixonado.

A hora passando e nada! Que brincadeira de mau gosto! Isso não se faz!

Olhava para o número do celular e mais familiar lhe parecia. Pegou sua agenda e foi verificando cada um.

A surpresa enfureceu-a de tal maneira que, se ele estivesse por perto, o esganaria.

Pegou o telefone e ligou.

– Você está com tanta saudade! Eu também! Não se esqueça de trazer aquele dinheirinho que você me deve há tanto tempo.

Seu irmão, desligadão, mandara inúmeras mensagens, pensando estar ligando para a namorada.

Margot Carvalho