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A estrela sobe

Cantor, compositor, ator, dançarino, poeta, instrumentista, estilista, ilusionista. Michael Jackson foi o líder revolucionário da música pop, fundador da era do videoclipe, o defensor de causas sociais.

Aos cinco anos, numa apresentação escolar, arrancou aplausos.

Seus irmãos também tinham talento musical.

Dançavam em frente à sua casa, numa área da cidade, pobre e reservada aos negros. Não demorou a que seu pai visse nas brincadeiras um negócio a explorar.

Sua coreografia, com passos escorregadios e imprevisíveis, criador de um estilo totalmente inovador, levava multidões ao delírio. Antes dele, o negro só podia brilhar em um nicho de mercado. Depois dele, o panorama do pop se alterou radicalmente. Os gêneros negros triunfaram, agora não mais como som de gueto.

Michael sempre trabalhou em causas sociais, doou milhões de dólares e uma semana após os atentados terroristas de 11 de setembro, anunciou a gravação de uma canção beneficente, de sua autoria, para arrecadar fundos para as famílias das vítimas.

Acusado de pedofilia, Michael negou as acusações. Pronunciou-se pelas redes CNN, CBS, NBS, ao vivo.

Defendeu-se, afirmando ser incapaz de causar mal a uma criança. Fechou um acordo de mais ou menos 20 milhões de dólares com a família do acusador. O caso foi arquivado.

Michael foi mudando sua aparência, mas não conseguiu mudar seu interior. Vendeu seu rancho, dizendo que ele lhe trouxera muitas coisas ruins. Solitário, viveu seu isolamento em seu mundo particular.

Lançou a música “Childhood” e, segundo ele, nela estavam as explicações para todas as suas frustrações. Ao recado ninguém deu atenção!

Dizem os versos: “Você viu a minha infância?/ Estou procurando pelo mundo de onde venho/ Nos achados e perdidos do meu coração/ Ninguém me entende/ Eles a veem como excêntrica/ porque continuo brincando/ Como uma criança, mas me perdoem... Antes de você me julgar, se esforce por me amar”.

Na última década, o público lhe virou as costas. Envolvido em escândalos, cada vez mais fechado em si mesmo, Michael sofreu uma decadência física, moral e artística.

A estrela do pop voltava para as 50 últimas apresentações de sua carreira. Endividado, pretendia saldar suas dívidas, estimadas em 800 mil dólares.

O gênio, conturbado, atordoado, paranóico, só se sentia à vontade e realizado no palco. Fora dele, o preço da fama o cobriu por inteiro. Triste, desacreditado, rodeado por sanguessugas que só queriam tirar proveito dele, caminhava, pessimista, para sua última turnê.

Fragilidade física e emocional o acompanhava: com 1.74 m, pesava apenas 51 kg.

A fragilidade parece derrotar o talento. O rei do pop, incomparável, criador, incrivelmente talentoso, sai da história para entrar na História.

Frise-se que Jordan Chandler, o garoto que o acusou, arrependido, confessou que nunca foi molestado por Michael Jackson. Fez tudo a mando do pai.

Há muito, a decadência de Michael na vida e na carreira o levou ao isolamento.

E agora? Em vida, ninguém acreditou em sua inocência!

Cinquenta anos de vida, quarenta e cinco de carreira. Descanse em paz, Michael Jackson! Deixe que briguem por sua fortuna.

Margot Carvalho