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MÃE

Em mim uma sementinha crescia, dia a dia

E a cada roupinha com ponto paris, o seu enxoval, eu fazia...

E cada peça, feita a mão, ponto a ponto, eu depositava

O meu amor O meu coração de alegria transbordava

Em todos os poros do meu corpo se transformavam como Em siO remexer do meu ventre, o milagre da vida, acontecia, Crescia...

Você nasceu e revirou minha vida... Eu já não me pertencia!

A cada noite mal dormida, a Deus eu agradecia.

Manhosa, dengosa, o grande presente, presente divino.

Na grandeza de Deus, eu agradecia

E cada lágrima derramada por você, eram estrelas cadentes Para prosseguir o meu dia

Seus cabelos, raios de sol iluminados,

Por seus ombros desciam como cascata de luz irradiando

O meu existir.

O sorriso cristalino, terno, a todos cativava e envolvia.

Aos meus olhos você, menina moça!

Aos quinze anos chegava e os seus sonhos tentei realizar,

Você merecia...

A graça a mim confiada, em meus braços cheios de ternura,

Pela madrugada, caindo de sono eu velava,

Não importava sua manha.

Era sua escrava, eu já não me pertencia!

E Deus me confiou mais duas vidas: uma do coração,

Outra da barriga.

A elas dei o melhor de mim, com o mesmo amor

Que a você dediquei...

Quem é mãe, sabe que falo com o coração.

Filho não é só o da barriga.

A gente ama em igualdade e entra em nossa vida,

Com certeza, enviado pelo “PAI”.

Não importa a forma, é filho que vem a nós por missão.

Só sei que o meu amor foi verdadeiro, inteiro, indivisível, Sem restrição...

Chorei com o desamor, mas compreendi que não se deve Esperar recompensa

E sim ter consciência da fraternidade e da compreensão...

Mas num dia de tempestade, um anjo se foi.

Não sei o porquê de não enlouquecer...

Como suportar tanta dor?

Cárcere, sem direito a sorriso, felicidade, tranquilidade. Como viver com a alma rasgada,

Exposta ao sofrimento constante?

Não iria suportar!

A alma sem direção vagava, vagava...

E a cada lágrima caída, a saudade aumentava...

Parei no tempo e no espaço.

Nada mais me importava.

Um vazio intenso me sondava,

Minha alma incompleta não sossegava.

Pedia de joelhos, todos os dias, para acabar

Com meu sofrimento!

Só havia uma saída, mas “ELE” não me atendeu.

Dizia-me que eu tinha ainda Missão a cumprir!

Fechei meu sorriso, o meu coração, a minha imensa dor

Caminhei lado a lado com a tristeza,

A esperança e a renovação...

Era uma sombra, tentando encontrar uma saída digna.

Quando caía, sentia seus braços me levantar,

Carregando-me no colo.

Por várias vezes, ou seja, sempre, “ELE”esteve comigo.

Colhi a tempestade avassaladora, sombria...

Senti o sol renascer, a alegria, o prazer...

O sonho despontar... O sorriso florescer.

Hoje sei a maior missão confiada à humanidade:

SER MÃE!

O amor, sem restrição, só doação.

Sofrimento, alegria, às vezes frustração.

Não importa!

Ser mãe é a nossa maior missão!

Margot Carvalho