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Meu filósofo preferido

“Deixa a vida me levar/ Vida leva eu!/ Deixa a vida me levar /Vida leva eu!...”

Meu filósofo favorito me acordava naquela manhã ensolarada e eu o acompanhava, desafinada.

Penso exatamente como ele. Não que minha vida seja uma bagunça, sem planejamento. Sei que tudo conspira a nosso favor, quando entramos em sintonia perfeita com o universo. Assim, deixo que a vida me leve, vou seguindo, aproveitando todas as chances que Deus me dá.

Meu filósofo favorito fala de coisas tão simples, com tamanha sofisticação, que nos leva a refletir no porquê de tudo e no para quê de tudo.

Morou, por opção, no bairro que lhe deu origem. Agrupando ali, no mesmo quintal: piscina, galinhas, churrasqueira, parque de diversão e sempre os muitos amigos. Por ele, ainda lá continuaria.

Hoje, mora na Barra. Muito chique, né?

Continua o mesmo Zeca de sempre. Não esqueceu Xerém e por lá é fácil encontrá-lo. Chinelos de dedo, bermuda, boné, uma simplicidade!

“Você sabe o que é caviar?/ Nunca vi, nem comi/Eu só ouço falar.” Eu também nunca vi, nem comi; eu só ouço falar.

Nosso povo gosta de coisas simples e não dispensa o churrasquinho empoeirado da esquina, o pastel com caldo de cana da feira, o cachorro-quente servido nas barraquinhas e nem pensa: “Tá tudo dentro dos conformes?”

Zeca adora uma feijoada suculenta, com bastante costelinha, lombo, carne-seca, pé de porco, couve à mineira.

Para a digestão: cervejinha gelada e aquela laranjinha que, às vezes, não lhe cai bem no estômago.

Leva o público ao delírio, com suas músicas criativas. Com uma filosofia peculiar, faz com que possamos refletir sobre o sentido da vida.

O povo brasileiro, debaixo deste sol de 40 graus, gosta de praia, duma farofada, farnel preparado de madrugada. Certamente, é o mais alegre do planeta, esbanja a mesma alegria do Zeca e faz a vida valer a pena.

Aí, Zeca! Continue assim. Faça mais sambas, filosofando simplesmente; mostrando para nós, povo brasileiro, que sua alegria é contagiante e suas músicas com palavras simples, caem como uma luva para o povão mesmo, dizendo verdades que adoramos ouvir.

Margot Carvalho