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Desculpe-me!

Vim para dar amor e não fui compreendida.

Vim somente para amar, compreender, agradar.

Quase ninguém entendeu meus objetivos,

Tarefa tão simples, tão singela.

Minha missão era somente amar, amar sem restrição.

Amava a vida de verdade, nada cobrava,

Deixava que decidissem tudo por mim.

Era muito feliz!

Vivia em função das pessoas que eu amava,

Mesmo porque eu só sabia amar... me doar!

Todos os dias, quando acordava, agradecia a Deus:

O sol, o ar, o mar, tudo tão perfeito!

Não aborrecia ninguém, mas mesmo assim,

Com minha missão de amor, espalhei a discórdia.

Fiquei muito triste por este fato

Sempre pensava numa maneira de melhorar a situação.

E tudo ia piorando.

No seio da família? Minha maior missão.

Sem compreender, perguntava-me o porquê!

Fui crescendo, querendo agradar.

Sorria, abraçava, conquistava.

Amar... amar... amar... amor sem restrição.

Sorrindo, mostrava-me feliz,

Afeiçoava-me às pessoas com facilidade

E as amava com todo o meu coração.

Simplesmente amava... Era tão fácil minha missão!

Cada dia que passava, um desafio maior.

O rancor ia aumentando nos corações das pessoas

Que eu mais amava e eu sem saber o porquê.

Não desistia. Tentava conquistá-las de todas as maneiras, Procurando fazê-las entender o meu coração.

Amava a vida, cada minutinho, cada segundinho.

Alguns diziam que eu era uma grande luz.

Não compreendia muito bem, mas ficava feliz.

Saber que brilhava para as pessoas

Era uma forma de demonstrar todo o meu amor,

Transmitir algo de bom para as pessoas me fazia tão feliz!

Meu grande desafio? Unir as pessoas do meu convívio.

Tentei de todas as formas não falhar em minha missão.

Mas nada adiantou.

Meu silêncio, perante o que faziam para me machucar,

Foi inútil!

Amava, mesmo àqueles que me maltratavam sem piedade!

Nada adiantou.

Ficava feliz junto delas, eu as amava tanto!

Isso me bastava!

Minha felicidade incomodou aqueles que não sabiam amar. Não queriam o meu mais nobre sentimento.

Fui torturada, assassinada brutalmente.

Implorei por piedade! Sufocaram minha voz!

Jogada do 6.º andar, ainda com vida.

Negaram-me a vida a que eu tinha direito.

Meus assassinos se negam a confessar o crime.

Contam tantas mentiras!

No meio de tanta mentira, escapam algumas verdades: Dizem que eu não incomodava e isso eu posso assegurar.

Usam da mesma covardia que usaram comigo.

Uma coisa é certa: impediram minha missão.

Era tão simples dar amor!

Queria somente unir a todos numa grande família

Cheia de compreensão.

Nada que procurei fazer adiantou...
Sentiram meu amor como rancor.
Incomodava e não compreendia.
Sinto muito, meu Pai do Céu,
Ter falhado.

Homenagem ao Anjo de Luz Isabela Nardoni

Margot Carvalho